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RESPONSABILIDADE ESPIRITUAL

Ogan e atab

Do que é que a Umbanda Precisa?

Dia desses, ao final de uma Gira, o Preto Velho regente da casa, pediu que todos respondessem uma pergunta simples:
“ – Do que a Umbanda precisa?”
E assim um a um foram respondendo:

 

“ – Mais união…”
“ – Mais estudo…”
“ – Mais divulgação…”
“ – Mais respeito…”
“ – Mais reconhecimento…”
Mais, mais e mais…

Após todos manifestarem suas opiniões, o Preto Velho sorriu e disparou:
“ – Muito se diz do que a Umbanda precisa, não é? E eu digo que a Umbanda precisa de Filhos!”

Silêncio repentino no ambiente.

Naturalmente os filhos ficaram surpresos e ansiosos para a conclusão desta afirmação. o Preto Velho pitou, pensou, pitou, sorriu e continuou:

“É isso, a Umbanda precisa sobretudo de FILHOS!”

Porque um filho jamais nega sua mãe, sua origem, sua natureza. Quando alguém questiona vocês sobre o nome de sua mãe, vocês procuram dar um outro nome a ela que não seja o verdadeiro? Um filho nem pensa nisso, simplesmente revela a verdade. Assim é um verdadeiro Filho de Umbanda: não nega sua religião, nem conseguiria, pois seria o mesmo que negar a origem de sua vida, seria o mesmo que negar o nome de sua mãe. *(Muitos umbandistas quando questionados dizem que são Espíritas no sentido de serem do Espiritismo e não pela ligação da Umbanda com intercâmbio com o mundo dos espíritos…)

Um filho de Umbanda, dentro do Terreiro, limpa o chão como devoção e não como uma chata necessidade de fazer faxina.
Um filho de Umbanda dá o melhor de si para e pelo Terreiro, pois sente que ali ele está na casa de sua mãe.
Um filho de Umbanda ama e respeita seus irmãos de Fé, pois são filhos da mesma mãe e sabem que por honra e respeito a ela é que precisam se amar, se respeitar e se fortalecer.
Um filho de Umbanda sente naturalmente que o Terreiro é a casa de sua mãe, onde ele encontra sua família e por isso quando lá não está sente-se ansioso para retornar e sempre que retorna é um momento de alegria e prazer.
Um filho de Umbanda não precisa aprender o que é gratidão. Porque sua entrega verdadeira no convívio com sua mãe, a Umbanda, já lhe ensina por observação o que é humildade, cidadania, família, caridade e todas as virtudes básicas que um filho educado carrega consigo.

Um filho de Umbanda não espera ser escalado ou designado por uma ordem superior para fazer e colaborar com o Terreiro; ele por si só observa as necessidades e se voluntaria, pois lhe é muito satisfatório agradar sua mãe, a Umbanda.
Um filho de Umbanda sabe o que é ser Filho e sabe o que é ter uma Mãe.
Quando a Umbanda agregar em seu interior mais Filhos que qualquer outra coisa, estas necessidades que vocês tanto apontam como união, respeito, educação, ética, enfim, não existirão, pois isto só existe naqueles que não são Filhos de fato!

Salve a sabedoria dos Pretos Velhos!

Em tempo:

Alguns irmãos respondem que são Espíritas mesmo trabalhando em casa de Umbanda, fato esse que está provado quando ocorrem os censos do IBGE, e desse modo o número de umbandistas das pesquisas não bate com o numero de trabalhadores das Casas de Umbanda pelo Brasil a fora.
Creio que a responsabilidade espiritual também faz parte do dia-a-dia de cada um, dentro e fora do Terreiro.

Responsabilidade espiritual é respeitar o próximo, e principalmente o irmão que não comunga da mesma fé, ou não faz parte de sua corrente espiritual.

Responsabilidade espiritual é receber bem o irmão que chega pela primeira vez no Centro Espírita, não fazer pré-julgamentos, recebê-lo de coração aberto, dar as boas vindas com um sorriso sincero!

Caso contrário a Umbanda terá sua imagem manchada, e a responsabilidade será sua

Saravá Umbanda !!

Dia de falar de Umbanda e espiritualidade com Géro Maita

PINGA FOGO

FORMAS PENSAMENTOS ELEMENTARES OU ARTIFICIAIS.

mediuns curadores

 

FORMAS PENSAMENTOS ELEMENTARES OU ARTIFICIAIS.
Texto de Ramatis

“Na Umbanda, é no passe que estas formas habitualmente são desagregadas, retornando para a natureza. Na cachimbada da preto(a) velho(a) ou na baforada do charuto do caboclo ou do Sr. Exu; estalando os dedos, com assovios e sopros qual pássaro chilreando, desintegram formas astro-mentais criadas pela própria pessoa, no mais das vezes obsessora dela mesma, num processo mórbido de auto-obsessão desencadeado pela força da mente rebelde que constantemente retro-alimenta este ciclo vicioso emitindo pensamentos mórbidos. Agrava-se tal quadro quando desafetos recíprocos do alvo visado, em escambo entre os “vivos” da Terra e os “mortos” do além túmulo, realizam procedimentos magísticos com oferendas votivas que criam densas formas astro-mentais, ditas artificiais, que são direcionadas para àquele a que desejam a desgraça com o vigor de todo o ódio que o sentimento inferior pode projetar contra um semelhante espiritual. Muitas vezes, necessário o elemento catalizador que propicie abrupto deslocamento no éter, como a queima da pólvora, para desintegrar o pensamento artificial plasmado, dando tempo para o ente debilitado se recuperar, incapaz que se encontra de fonetizar uma simples prece.”
A MISSÃO DA UMBANDA.

Nosso manifesto com o resultado das eleições de 26/10

(este post não tem título)

voto

Você é Umbandista?

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Ser Umbandista e praticar os ensinamentos da umbanda dentro e fora do terreiro , faz bem a saúde !!

Várias pesquisas tem constatado que os Umbandista, apresentam 40% menos chance de sofrer hipertensão, tem sistema de defesa mais forte e tendem a sofre menos de depressão quando se encontram debilitadas por enfermidades.

Sabemos que aquilo que pensamos e sentimos afeta diretamente o nosso organismo.
Hoje a própria medicina reconhece que a maioria das doenças tem origem psicossomáticas, ou seja na mente (psique) alcançando o corpo(soma).
Daí a confirmação do antigo e atualíssimo ditado “mente sã, corpo são”.
O pensamento harmonizado, ao lado de emoções bem administradas e vibrações positivas, gera um bem estar , que por sua vez, promovera um estado de saúde integral.
Pensamos, sentimos e agimos dentro de um perfeito sistema de ação e reação, de causa e efeito.
Tudo que pensamos e sentimos compromete ou beneficia nossa vida orgânica.
Cada pensamento ou sentimento gera saúde ou doença, conforme sua vibração especifica de harmonia ou desequilíbrio.
Somos o que pensamos ser!
Mas como aprender a gerenciar tudo o que penso?
A resposta e simples: Através da educação da mente.
Devemos ser educadores dos nossos pensamentos e professores das nossas emoções.
Nada de sermos vitimas dos problemas do mundo.
Somos capazes de comandar tudo o que sentimos e pensamos.
Mas como se faz isso?
Devemos comandar o que pensamos e sentimos e não o contrario.
A educação da mente é uma proposta superior , que não pode ser realizada da noite para o dia, mas que pode muito bem ser iniciada agora! Nesse exato momento!
Antes de reagimos a uma ofensa, o melhor é não se sentir ofendido.
Lembrando que os fracos se vingam, Os fortes perdoam. E os superiores não se ofendem.

Tentações

ATRIBUTOS-DE-DEUS

“Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” (Evangelho de Tiago, Cap. 1, V. 12-14).

São as nossas próprias más inclinações que geram os problemas das nossas vidas; somos nós os responsáveis pela nossa felicidade ou pela nossa desgraça, portanto, a ninguém podemos culpar, se não a nós mesmos, pelos intempéries que passamos. Cabe ao homem saber aproveitar a oportunidade da dor para confiar em Deus, sem revoltar-se contra Ele, pois a mesma foi gerada por nós (nesta ou em outras encarnações). A dor não é e nunca será uma imposição de Deus às nossas vidas, mas, sim, consequência das nossas próprias imperfeições e falhas morais, bem como, dos nossos erros cometidos em encarnações pretéritas. Portanto, por maior que sejam as dificuldades e por mais longas que sejam as dores, que possamos confiar, agradecer a Deus pela oportunidade e resignarmo-nos com essa situação temporária, imposta pela nossa própria consciência e necessidade evolutiva, sabedores que somos nós os construtores do nosso próprio destino. Portanto, nos cabe a responsabilidade de mudá-lo diariamente, com pensamentos, palavras e atitudes mais positivas.

“O homem é, na maioria das vezes, o artífice de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele pode poupar-se a muitos males e gozar de uma felicidade tão grande quanto o comporta a sua existência num plano grosseiro.” (O Livro dos Espíritos, item 921).

EXU na UMBANDA – canalizado por GÉRO MAITA

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Exu – por ele mesmo

Pergunta: O que podemos compreender pelo termo Exu? Verificamos ainda muita confusão em meio a real ação destes espíritos, poderia nos explicar?

Sete: Ainda encontramos na roupagem de carne muita gente sendo “porta voz de morto” filho, criando suas próprias verdades que nem sempre estão pautadas no bom senso! Criam ritos, rituais, iniciações e muitos códigos secretos quando na realidade a simplicidade e objetividade dos trabalhos desenvolvidos pelos espíritos é mais simples do que possamos imaginar, assim se dá com Exu também.
Temos duas qualidades do termo Exu.

1.Como força da natureza, ligada a energia de Orixá, onde existem as energias oriundas do polo negativo desta força e tome cuidado para não interpretar negativo como propagador do mal, mas somente como uma polaridade.

2.Como entidade atuande, onde existem as chamadas falanges ou para ficar mais claro a compreensão “grupos de trabalho” onde cada grupo tem uma função na criação ligada a força manifestadora da natureza ou “Orixá Exu”.

Os Exus, atuam na organização do plano negativo, onde se reunem seres que se afinizam pelo padrão vibratório denso que criaram em suas vidas e após o seu desencarne, são atraídos pela sintonia vibratória que criaram em torno de si.
Nestas localidade chamadas de Umbral, trevas , vales sombrios e demais alegorias que cada cultura denomina se encontram espíritos que estão comprometidos com suas consciências e a função da entidade Exu nestes locais é manter a ordem e promover o equilibrio energético dos mesmos, através de várias ações, uma delas e dando a segurança para que equipes socorristas possam atuar nestes campos para promover o resgate e o encaminhamento destes espíritos.
Associado as casas espiritualistas e espiritas, Umbandistas e demais casas afros brasileiras, encontramos a figura de Exu como o que vela pela segurança energética destes locais, formando campos de forças que atuam dentro de uma determinada frequência vibratória para que as atividades internas corram na mais plena harmonia.
Infelizmente ainda notamos muito “teatro” praticado nestes locais onde se prega mais ilusão do que verdade na tarefa desenvolvida por Exu.
Médiuns despreparados e movidos pelo animismo doentio de suas mentes despreparadas para o mediunato, criam a imagem de Exu ligada ao “mito”, distribuindo ebós, despachos e pregando a ilusão na imagem daquele que serve somente a lei e a justiça.
Tais atos vale lembrar filho abrem portas para a ilusão que atraí os chamados “quiumbas” espíritos de uma classe extremamente leviana ques e utilizam destes médiuns para criar os cenários doentios que ainda hoje presenciamos em algumas casas, acabando no despacho da encruzilhada, local este totalmente despreparado no meio urbano para tal atividade dita “espiritual”
Exus é o sentinela, o guardião ou ainda aquele que defende, o nome pouco importa, mas o que vale é saibamos compreender qual a finalidade que o mesmo desenvolve.
Os excessos como bebidas, velas pretas, ebós se perderam na ilusão popular, onde o fator de força esta na natureza que acaba sendo a mais prejudicada com tudo isso.
Atos como palavrões, leviandade e desrepeito para com o consulente estão mais ligados ao médium que traduz aquilo que leva dentro de si do que da personalidade de um Exu.
Exus são servidores da luz que atuam dentro das trevas que são criadas pelos próprios viventes.
Se faz necessário que os cultos se espiritualizem e que o fator energético além de estudado seja práticado, não se dando espaço somente para o elemento material que na maioria das vezes serve mais de muleta psiquica.

Com muito axé a todos!

Sete
Canalizado por GÉRO MAITA

HOJE: CULTO AOS ORIXÁS e TRABALHO DE MESA COM OS BAIANOS

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Antigos e modernos sistemas do mundo|Estudando um pouco da nossa história

Antigos e modernos sistemas do mundo
Fonte: A GÊNESE SEGUNDO O ESPIRITISMO
MAPA ESÓTÉRICO

1. – A primeira ideia que os homens formaram da Terra, do movimento dos astros e da constituição do Universo, há de, a princípio, ter-se baseado unicamente no que os sentidos percebiam. Ignorando as mais elementares leis da Física e as forças da Natureza, não dispondo senão da vista como meio de observação, apenas pelas aparências podiam eles julgar.

Vendo o Sol aparecer pela manhã, de um lado do horizonte, e desaparecer, à tarde, do lado oposto, concluíram naturalmente que ele girava em torno da Terra, conservando-se esta imóvel. Se lhes dissessem então que o contrário é o que se dá, responderiam não ser possível tal coisa, objetando: vemos que o Sol muda de lugar e não sentimos que a Terra se mexa.

2. – A pequena extensão das viagens, que naquela época raramente iam além dos limites da tribo ou do vale, não permitia se comprovasse a esfericidade da Terra. Como, ao demais, haviam de supor que a Terra fosse uma bola? Os seres, em tal caso, somente no ponto mais elevado poderiam manter-se e, supondo-a habitada em toda a superfície, como viveriam eles no hemisfério oposto, com a cabeça para baixo e os pés para cima? Ainda menos possível houvera parecido isso com o movimento de rotação. Quando, mesmo aos nossos dias, em que se conhece a lei de gravitação, se vêem pessoas relativamente esclarecidas não perceberem esse fenômeno, como nos surpreendermos de que homens das primeiras idades não o tenham, sequer, suspeitado?

Para eles, pois, a Terra era uma superfície plana e circular, qual uma mó de moinho, estendendo-se a perder de vista na direção horizontal. Dai a expressão ainda em uso: Jr ao fim do mundo. Desconheciam-lhe os limites, a espessura, o interior, a face inferior, o que lhe ficava por baixo. (1)

(1) “A mitologia hindu ensinava que, ao entardecer, o astro do dia se despojava de sua luz e atravessava o céu durante a noite com uma face obscura. A mitologia grega figurava puxado por quatro cavalos o carro de Apolo. Anaximandro, de Mileto, sustentava, ao que refere Plutarco, que o sol era um carro cheio de fogo muito vivo, que se escapava por uma abertura circular. Epicuro, segundo uns, teria emitido a opinião de que o Sol se acendia pela manha e se apagava à noite nas águas do oceano; segundo outros, ele considerava esse astro uma pedra-pomes aquecida até à incandescência. Anaxágoras o tomava por um ferro esbraseado, do tamanho do Peloponeso. Coisa singular! os antigos eram tão invencivelmente induzidos a considerar real a grandeza aparente desse astro, que perseguiram o filósofo temerário por haver atribuído aquele volume ao facho do dia, fazendo-se necessária toda a autoridade de Péricles para salvá-lo de uma condenação à morte e para que essa pena fosse comutada na de exílio.” (Flammarion, Estudos e leituras sobre a Astronomia, pág. 6.)

Diante de tais idéias, emitidas no quinto século antes do Cristo, ao tempo da maior prosperidade da Grécia, não devem causar espanto aquelas que os homens das primeiras idades faziam sobre o sistema do mundo.

3. – Por se mostrar sob forma côncava, o céu, na crença vulgar, era tido como uma abóbada real, cujos bordos inferiores repousavam na Terra e lhe marcavam os confins, vasta cúpula cuja capacidade o ar enchia completamente. Sem nenhuma noção do espaço infinito, incapazes mesmo de o conceberem, imaginavam os homens que essa abóbada era constituída de matéria sólida, donde a denominação de firmamento que lhe foi dada e que sobreviveu à crença, significando: firme, resistente (do latim firmamentum, derivado de firmus e do grego herma, hermatos, firme, sustentáculo, suporte, ponto de apoio).

4. – As estrelas, de cuja natureza não podiam suspeitar, eram simplesmente pontos luminosos, de volumes diversos, engastados na abóbada, como lâmpadas suspensas, dispostas sobre uma única superfície e, por conseguinte, todas à mesma distância da Terra, tal como as que se vêem no interior de certas cúpulas, pintadas de azul, figurando a do céu.

Se bem hoje sejam outras as idéias, o uso das expressões antigas se conservou. Ainda se diz, por comparação: a abóbada estrelada; sob a cúpula do céu.

5 – Igualmente desconhecida era então a formação das nuvens pela evaporação das águas da Terra. A ninguém podia acudir a idéia de que a chuva, que cai do céu, tivesse origem na Terra, donde ninguém a via subir. Daí a crença na existência de águas superiores e de águas inferiores, de fontes celestes e de fontes terrestres, de reservatórios colocados nas altas regiões, suposição que concordava perfeitamente com a ideia de uma abóbada sólida, capaz de os sustentar. As águas superiores, escapando-se pelas frestas da abóbada, caiam em chuva e, conforme fossem mais ou menos largas as frestas, a chuva era branda, torrencial e diluviana.

6. – A ignorância completa do conjunto do Universo e das leis que o regem, da natureza, da constituição e da destinação dos astros, que, aliás, pareciam tão pequenos, comparativamente à Terra, fez necessariamente fosse esta considerada como a coisa principal, o fim único da criação e os astros como acessórios, exclusivamente criados em intenção dos seus habitantes. Esse preconceito se perpetuou até aos nossos dias, apesar das descobertas da Ciência, que mudaram, para o homem, o aspecto do mundo. Quanta gente ainda acredita que as estrelas são ornamentos do céu, destinados a recrear a vista dos habitantes da Terra!

7. – Não tardou, porém, se apercebessem do movimento aparente das estrelas, que se deslocam em massa do oriente para o ocidente, despontando ao anoitecer e ocultando-se pela manhã, e conservando suas respectivas posições. Semelhante observação, contudo, não teve, durante longo tempo, outra conseqüência que não fosse a de confirmar a ideia de uma abóbada sólida, a arrastar consigo as estrelas, no seu movimento de rotação.

Essas idéias primárias, simplistas, constituíram, no curso de largos períodos seculares, o fundo das crenças religiosas e serviram de base a todas as cosmogonias antigas.

8. – Mais tarde, pela direção do movimento das estrelas e pelo periódico retorno delas, na mesma ordem, percebeu-se que a abóbada celeste não podia ser apenas uma semi-esfera posta sobre a Terra, mas uma esfera inteira, oca, em cujo centro se achava a Terra, sempre chata, ou, quando muito, convexa e habitada somente na superfície superior. Já era um progresso.

Mas, qual o suporte da Terra? Fora inútil mencionar todas as suposições ridículas, geradas pela imaginação, desde a dos indianos, que a diziam suportada por quatro elefantes brancos, pousados estes sobre as asas de um imenso abutre. Os mais sensatos confessavam que nada sabiam a respeito.

9. – Entretanto, uma opinião geralmente espalhada nas teogonias pagãs situava nos lugares baixos, ou, por outra, nas profundezas da Terra, ou debaixo desta, não sabia bem, a morada dos réprobos, chamada inferno, isto é, lugares inferiores, e nos lugares altos, além da região das estrelas, a morada dos bem-aventurados. A palavra inferno se conservou até aos nossos dias, se bem haja perdido a significação etimológica, desde que a Geologia retirou das entranhas da Terra o lugar dos suplícios eternos e a Astronomia demonstrou que no espaço infinito não há baixo nem alto.

10. – Sob o céu puro da Caldeia, da Índia e do Egito, berço das mais antigas civilizações, o movimento dos astros foi observado com tanta exatidão, quanto o permitia a falta de instrumentos especiais. Notou-se, primeiramente, que certas estrelas tinham movimento próprio, independente da mesma, o que não consentia a suposição de que se achassem presas à abóbada. Chamaram-lhes estrelas errantes ou planetas, para distingui-las das estrelas fixas. Calcularam-se-lhes os movimentos e os retornos periódicos.

No movimento diurno da esfera estrelada, foi notada a imobilidade da Estrela Polar, em cujo derredor as outras descreviam, em vinte e quatro horas, círculos oblíquos paralelos, uns maiores, outros menores, conforme a distância em que se encontravam da estrela central. Foi o primeiro passo para o conhecimento da obliqüidade do eixo do mundo. Viagens mais longas deram lugar a que se observasse a diferença dos aspectos do céu, segundo as latitudes e as estações. A verificação de que a elevação da Estrela Polar acima do horizonte variava com a latitude, abriu caminho para a percepção da redondeza da Terra. Foi assim que, pouco a pouco, chegaram a fazer uma idéia mais exata do sistema do mundo.

Pelo ano 600 antes de J.-C., Tales, de Mileto (Ásia Menor), descobriu a esfericidade da Terra, a obliqüidade da eclíptica e a causa dos eclipses.

Um século depois, Pitágoras, de Samos, descobre o movimento diurno da Terra, sobre o próprio eixo, seu movimento anual em torno do Sol e incorpora os planetas e os cometas ao sistema solar.

Hiparco, de Alexandria (Egito), 160 anos antes de J.-C., inventa o astrolábio, calcula e prediz os eclipses, observa as manchas do Sol, determina o ano trópico, a duração das revoluções da Lua.

Embora preciosíssimas para o progresso da Ciência, essas descobertas levaram perto de 2.000 anos a se popularizarem. Não dispondo então senão de raros manuscritos para se propagarem, as idéias novas permaneciam como patrimônio de alguns filósofos, que as ensinavam a discípulos privilegiados. As massas, que ninguém cuidava de esclarecer, nenhum proveito tiravam delas e continuavam a nutrir-se das velhas crenças.

11. – Cerca do ano 140 da era cristã, Ptolomeu, um dos homens mais ilustres da Escola de Alexandria, combinando suas próprias idéias com as crenças vulgares e com algumas das mais recentes descobertas astronômicas, compôs um sistema que se pode qualificar de misto, que traz o seu nome e que, por perto de quinze séculos, foi o único que o mundo civilizado adotou.

Segundo o sistema de Ptolomeu, a Terra é uma esfera posta no centro do Universo e composta de quatro elementos: terra, água, ar e fogo. Essa a primeira região, dita elementar. A segunda região, dita etérea, compreendia onze céus, ou esferas concêntricas, a girar em torno da Terra, a saber: o céu da Lua, os de Mercúrio, de Vênus, do Sol, de Marte, de Júpiter, de Saturno, das estrelas fixas, do primeiro cristalino, esfera sólida transparente; do segundo cristalino e, finalmente, do primeiro móvel, que dava movimento a todos os céus inferiores e os obrigava a fazer urna revolução em vinte e quatro horas. Para além dos onze céus estava o Empíreo, habitação dos bem-aventurados, denominação tirada do grego pyr ou pur, que significa fogo, porque se acreditava que essa região resplandecia de luz, como o fogo.

Longo tempo prevaleceu a crença em muitos céus superpostos, cujo número, entretanto, variava. O sétimo era geralmente tido como o mais elevado, donde a expressão: ser arrebatado ao sétimo céu. São Paulo disse que fora elevado ao terceiro céu.

Afora o movimento comum, os astros, segundo Ptolomeu, tinham movimentos próprios, mais ou menos dilatados, conforme a distância em que se achavam do centro. As estrelas fixas faziam uma revolução em 25.816 anos, avaliação esta que denota conhecimento da precessão dos equinócios, que se realiza em 25.868 anos.

12. – No começo do século dezesseis, Copérnico, astrônomo célebre, nascido em Thorn (Prússia), no ano de 1472 e morto no de 1543, reconsiderou as idéias de Pitágoras e concebeu um sistema que, confirmado todos os dias por novas observações, teve acolhimento favorável e não tardou a desbancar o de Ptolomeu. Segundo o sistema de Copérnico, o Sol está no centro e ao seu derredor os astros descrevem órbitas circulares, sendo a Lua um satélite da Terra.

Decorrido um século, em 1609, Galileu, natural de Florença, inventa o telescópio; em 1610, descobre os quatro (1) satélites de Júpiter e lhe calcula as revoluções; reconhece que os planetas não têm luz própria como as estrelas, mas que são iluminados pelo Sol; que são esferas semelhantes à Terra; observa-lhes as fases e determina o tempo que duram as rotações deles em torno de seus eixos, oferecendo assim, por provas materiais, sanção definitiva ao sistema de Copérnico.

Ruiu então a construção dos céus superpostos; reconheceu-se que os planetas são mundos semelhantes à Terra e, sem dúvida, habitados, como esta; que as estrelas são inumeráveis sóis, prováveis centros de outros tantos sistemas planetários, sendo o próprio Sol reconhecido como uma estrela, centro de um turbilhão de planetas que se lhe acham sujeitos.

As estrelas deixaram de estar confinadas numa zona da esfera celeste, para estarem irregularmente disseminadas pelo espaço sem limites, encontrando-se a distâncias incomensuráveis umas das outras as que parecem tocar-se, sendo as aparentemente menores as mais afastadas de nós e as maiores as que nos estão mais perto, porém, ainda assim, a centenas de bilhões de léguas.

Os grupos que tomaram o nome de constelações mais não são do que agregados aparentes, causados pela distância; suas figuras não passam de efeitos de perspectiva, como as que as luzes espalhadas por uma vasta planície, ou as árvores de uma floresta formam, aos olhos de quem as observa colocado num ponto fixo. Na realidade, porém, tais agrupamentos não existem. Se nos pudéssemos transportar para a reunião de uma dessas constelações, à medida que nos aproximássemos dela, a sua forma se desmancharia e novos grupos se rios desenhariam à vista.

(1) Nota da Editora, à 16ª edição, de 1973: Depois de Galileu, os astrônomos descobriram mais oito; são conhecidos atualmente, portanto, 12 satélites de Júpiter (4 deles com movimento retrógrado).

Ora, não existindo esses agrupamentos senão na aparência, é ilusória a significação que uma supersticiosa crença vulgar lhe atribui e somente na imaginação pode existir.

Para se distinguirem as constelações, deram-se-lhes nomes como estes: Leão, Touro, Gêmeos, Virgem, Balança, Capricórnio, Câncer, Órion, Hércules, Grande Ursa ou Carro de David, Pequena Ursa, Lira, etc., e, para representá-las, atribuíram-se-lhes as formas que esses nomes lembram, fantasiosas em sua maioria e, em nenhum caso, guardando qualquer relação com os grupos de estrelas assim chamados. Fora, pois, inútil procurar no céu tais formas.

A crença na influência das constelações, sobretudo das que constituem os doze signos do zodíaco, proveio da idéia ligada aos nomes que elas trazem. Se à que se chama leão fosse dada o nome de asno ou de ovelha, certamente lhe teriam atribuído outra influência.

13. – A partir de Copérnico e Galileu, as velhas cosmogonias deixaram para sempre de subsistir. A Astronomia só podia avançar, não recuar. A História diz das lutas que esses homens de gênio tiveram de sustentar contra os preconceitos e, sobretudo, contra o espírito de seita, interessado em manter erros sobre os quais se haviam fundado crenças, supostamente firmadas em bases inabaláveis. Bastou a invenção de um instrumento de óptica para derrocar uma construção de muitos milhares de anos. Nada, é claro, poderia prevalecer contra uma verdade reconhecida como tal. Graças à Tipografia, o público, iniciado nas novas idéias, entrou a não se deixar embalar com ilusões e tomou parte na luta. Já não era contra indivíduos que os sustentadores das velhas idéias tinham de combater, mas contra a opinião geral, que esposava a causa da verdade.

Quão grande é o Universo em face das mesquinhas proporções que nossos pais lhe assinavam! Quanto é sublime a obra de Deus, desde que a vemos realizar-se conformemente às eternas leis da Natureza! Mas, também, quanto tempo, que de esforços do gênio, que de devotamentos se fizeram necessários para descerrar os olhos às criaturas e arrancar-lhes, afinal, a venda da ignorância!

14. – Estava desde então aberto o caminho em que ilustres e numerosos sábios iam entrar, a fim de completarem a obra encetada. Na Alemanha, Kepler descobre as célebres leis que lhe conservam o nome e por meio das quais se reconhece que as órbitas que os planetas descrevem não são circulares, mas elipses, um de cujos focos o Sol ocupa. Newton, na Inglaterra, descobre a lei da gravitação universal. Laplace, na França, cria a mecânica celeste. Finalmente, a Astronomia deixa de ser um sistema fundado em conjeturas ou probabilidades e torna-se uma ciência assente nas mais rigorosas bases, as do cálculo e da geometria. Fica assim lançada uma das pedras fundamentais da Gênese, cerca de 3.300 anos depois de Moisés.